domingo, 25 de agosto de 2013

As rosas não falam



O labirinto de flores acolhe em sua densidade verde uma rosa muito branca e outra bem vermelha, ambas a desabrochar. O vento, cupido esperançoso, tenta aproximá-las com rajadas de incentivo, o que parece não funcionar. Tal qual diferem em cores, assim sol e lua só atingem uma por vez a cada volta do dia. Em comum apenas o fato de que compartilham o mesmo céu.

Se falassem, talvez tivessem muito que dizer; uma declaração sobre a beleza, uma paixão pelo mundo vibrante, vontade de sorrir ou chorar junto. Mas não há sussurro. Talvez, com muita atenção, ouve-se um suspiro de melancolia. Emitido no momento em que certo cavalheiro passa, distraído, pelo labirinto. Para, surpreendido. Olha e decidido, colhe a vermelha rosa, leva esta até sua cartola e a transforma em adorno vaidoso. Perde-se no verde das folhas até sumir em algum corredor infindo. E a rosa branca, pobre infeliz, descobre que há algo mais duro e cortante do que o silêncio. Chama-se ausência.

Marina Costa

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