terça-feira, 10 de setembro de 2013

Poço dos Desejos

Não tinha sequer uma moeda nos bolsos rotos do macacão. O tênis, velho como a estrada, chutou uma pedra com insatisfação. Também, deu de ombros, não havia o que pedir. Casa não queria, casar era algo de que fugia e o que comer, sincero sorriso e boa conversa sempre conseguia. Meio que sem rumo, como preferia, sentou para descansar do ócio na beirada do poço. Tentava ver o fundo mas era escuro de mistério, como seu futuro. De súbito uma ideia brilhante lhe ocorreu. Mochila no chão, abre o fecho e busca freneticamente um pequeno objeto que, mesmo esquecido, estava ali. Tocou na pedra fria e riu. Com as mãos em concha, olhos fechados, murmurou com fervor, sorriu com fé e lançou o cristal que tinha vindo de longe e por boas mãos. Se apoiou e esperou até ouvir a água se fechar sobre a pedra. Juntou seus poucos pertences, sorriu ainda uma última vez enquanto olhava para trás e tendo o vento por guia, partiu. Do céu, uma pluma branca caiu calmamente até pousar, devagar, na água. Era um sinal invisível de que seres mágicos concedem o que pedem aqueles que não ficam esperando chegar...
 
Marina Costa

2 comentários:

Para contato, o email é vidanacronica@gmail.com