sábado, 5 de outubro de 2013

Cadência


Alta lua escura, na noite mais profunda que deixa assim brilhar as estrelas esquecidas. Olhos pregados no céu sem nuvens, límpido e claro a seguir os pensamentos em cadência, ainda que negros. Há um que de tensão duvidosa, pesada como o ar da quieta escuridão. O fluxo de memórias frescas se mistura às fantasias criadas até que um leve pestanejar leva à um sonho insone que abarca toda a ilusão desejada. São visões turvas mas brilhantes de um sorriso, claro como o dia, que se funde ao sol, quente como o peito,  cheio de uma torrente de sentimentos... Desagua em pés lavando uma tristeza surgida de um passado tão velho quanto o tempo e tão seco quanto cinzas. Inunda e acorda ainda antes da aurora, com o susto a espantar as visões do futuro. Alta lua escura, na noite não tão densa. Sente uma vontade imensa de rir da vida. E o canto de um pássaro azul, vindo do mundo da mente, coloca em dó maior um ponto final no pensar sem fim. Há de haver sempre outro dia, reflete feliz; até que tudo vire pó. E nos faça sonhos...

Marina Costa

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