sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entre tons de sons

 
 
A luz pouca que entrava pela janela mínima era um pálido reflexo de uma lua certa mas escondida. O som da noite se calou para deixar passar notas e falsetes discordenadamente errantes pelo ar. Era o tom. Dentro, havia um silêncio turvo de contemplação. Os olhos nada viam, mas a melodia desajustada hipnotizava misticamente mãos e braços, transformando o frio do chão em um aconchegante e familiar abraço. Ouvia-se um som. Por horas o tempo suspenso, onde palavras retiraram-se cabisbaixas por terem perdido sua função. Um espiritual dissonar cozia em fios o desatino que prendia de estranha forma a atenção. Era uma desejada prisão. Até que fez-se a luz de mentira e os sonhos, quase palpáveis, chocaram-se contra a parede branca. O fim fez-se novamente presente, convidado sempre adiantado de momentos exímios. Mas a sonata após tocada nunca termina e vai repetir-se na mente enevoada. Sempre a entreolhar o instante de novamente se fazer soar.
 
Marina Costa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para contato, nosso email é vidanacronica@gmail.com