quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Lendas

Chorou até dormir, como na noite anterior e naquela antes dela. Exausta de lágrimas e esperanças frustradas ao ver que o dia raiou, alisou o rosto inchado com as costas da mão e apoiou no colchão para se erguer. Uma luz tímida entrava pela fresta da cortina quando um som agudo ecoou pelo quarto fechado. Não deixou seu coração saltar dessa vez. Ao segundo ressoar, entretanto, levantou-se de um pulo e se apoiou no parapeito da janela, lançando além seus olhos límpidos na busca desesperada de alimento para seus sonhos. Viu apenas andarilhos em farrapos. Sujos, pobres e fracos como seu herói jamais seria. Veio o aperto no peito e o choro contido. E a lágrima abriu caminho para o sorriso, quando pingou sobre um lírio misteriosamente deixado na janela, na forma de promessa. 
 
Marina Costa

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