quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Motivo

Ensandecida, ela rodopiava pela sala como uma criança histérica descobridora do desequilíbrio. E caía e ria e se punha de joelhos para de novo pular. Dava cambalhotas, abraçava as próprias pernas, rebolava e remexia, extasiada de tanto gritar… E nesse catatônico estado, nesse torpor louco de alegria se deixou levar até o cansaço que a acomodou gentilmente no sofá, mão sob o rosto, sono dos puros, sorriso de quem subitamente alcançou o paraíso. Denso silêncio se fez. Em cima da mesa o envelope rasgado ao meio. Te levo flores, querida minha, quando em breve chegar. Eu vivo.

Marina Costa

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