terça-feira, 15 de outubro de 2013

Quando não dizer faz sentido


Tem uma hora no convívio, no "tête-à-tête" diário, em que você já falou tudo e não tem mais assunto de onde puxar. Quando arruma, é baseado numa intimidade pretendida, quiçá fingida, que gera o esperado diálogo solidificado num teatro tal que a realidade sóbria termina por reclassificar como impróprio. Fica um sim pouco sonoro, dito em lugar de um desprendido não e o ponto final é tão grande que nem o gato de Alice sorriria maior e mais sem graça. Ouve a voz profunda do nada e opte sempre pelo denso silêncio... Tão repleto de verdadeiros significados que somente a sincronia fina e sincera é capaz de acatar. Onde não há a vulgaridade das palavras não tem como errar. E assim quando o realmente necessário for dito será tão pleno e construtivo que retrucar se fará inútil e um aperto de mãos quentes bastará para ampla e cúmplice compreensão.
 
Marina Costa



4 comentários:

  1. Pois poucos são aqueles que apreciam, de fato, o silêncio. =)

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  2. Trem difícil de aprender mas danado de compensador quando praticado! =)

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  3. Há de se ter muita leveza na alma.

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  4. Tão leve que as vezes fica difícil não se deixar voar para outros lugares menos densos...

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