quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Então é Natal

 
“Não, eu não aceito comprar um falso, pirata” (vide link no final da crônica).
 
Então eu não como bem, não vou ao cinema nem mesmo ao teatro. Não estudo nem viajo, porque tudo que me importa é mostrar para eles que estou a rigor, vestido de acordo, posso participar do que não fui convidado mas os comerciais da tv me intimidam a ir.
 
Bolsa família não dá para comprar calça de 300 reais que uma adolescente precisa. Tênis de mil é estratosfericamente fora do orçamento, mas é obrigação tê-lo para mostrar dignidade no rolê.
 
E sobe a classe sobe a ostentação. Não pensem que dívida é luxo de favelado não. Há quem, no meio da boa elite mineira, se endivide por compras semanais em Nova York. Com direito a jatinho particular. Para ir de manhã e voltar de tarde. Conto o milagre mas se falar o santo arrisco meu emprego.
 
Enfim, é natal. E as lojas vermelhas e verdes estão monstruosamente sorridentes. Os falsos velhos Nóeis estão ainda mais fajutos em suas barbas cada ano mais plastificadas. A cidade brilha com luzes que em Brumadinhos da vida fariam envergonhar o SUS, tão sem recursos. Falta educação mas quem liga se jinglam os bells?
 
Mais um ano eu fico aí, deprimida, a torcer o nariz para as bolas coloridas. As notícias são as piores possíveis mas Cristo vai nascer outra vez e tudo vai ficar harmonicamente em paz… Até chegar janeiro e com ele a fatura do cartão de crédito estourado, o aluguel atrasado e o iptu. Para esfregar na cara dos ingênuos que nesse mundo de capital, natal é para pouca gente.
 
Feliz natal (para você que tem)!

Marina Costa


3 comentários:

  1. Nossa... você e a minha Marina combinaram??

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  2. 22, 23, 24 de dezembro e lá estava eu falando essas mesmas coisas, repetidamente (quantas vezes parecesse necessário para estancar minha dor - não estancou), para o gabriel. to contigo, marininha

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  3. Pois é! Não que eu faça algo para melhorar a situação do mundo mas acho que só de não compactuar com o consumismo, uma luzinha já acende! Vamos falando, amigos meus, quem sabe uma hora a voz sozinha vira coro!

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