segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Pelos elos das eras

 
Passaram meses para o ano ir e nos deixar aqui sentados, na soleira da porta, com olhos vazios e mãos abanando, pedintes de tempo, de sentimento  e entendimento da vida. Horas que escorreram e levaram, diluídos, desejos insatisfeitos, ideias abandonadas, sorrisos contidos e abraços escusos. O peito cheio de frustrações que vão sendo enterradas nas covas da memória. É tempo de novos intuitos, novos projetos de ser outro humano, novas promessas de melhorias insípidas e utópicas. Mais amor ou menos guerra, talvez ler poesia. Se não há sonhos para edificar a passagem de outro ano não há porquê fazer tal travessia. Resolutos, levantamos e entramos, fechamos a porta na cara do passado e respiramos fundo para o novo mas já conhecido futuro. Haverão, sabemos bem, planos não concretizados. Desapreço vasto e apego incerto. Egoísmo obcecado. Mas sempre com esperança de que tudo mude no virar infindo do calendário. A vida não pode ser apenas ficar a ver a areia cair. Há que se aprender a sempre reconstruir castelos de pó... Para esquecer que o tempo nos soterra por mais que tentemos não parar para olhar.
 
Marina Costa

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