domingo, 5 de janeiro de 2014

Diana


Ela abriu os olhos e deu com o azul do céu sem nuvens. Lembrou-se vagarosamente onde estava e porque. Apertou as mãos na grama orvalhada e sentindo ainda a moleza da manhã sorriu, em calmo êxtase. Virou o rosto para ver o verde a perder de vista da liberdade recém conquistada. A paz em sua expressão era sinônimo de decisão acertada. Ainda devagar, ela se levantou e foi até o riacho, próximo. Entrou assim vestida, talvez um resto a minguar da opressão por tanto tempo vivida. Sentiu aos poucos o abraço da água em torno de seu corpo. De olhos fechados ficou a ouvir a própria respiração enquanto o calor do sol recém nascido a enchia de vida. Estava perdida para o mundo agora, e era assim que queria ser vista. Este era apenas o começo de uma caminhada que se propunha sem fim. Onde o rumo a seguir seria definido pela mágica palavra a pouco aprendida: para tudo, diria SIM.
 
Marina Costa

2 comentários:

  1. Quando a gente sente que não tem mais nada a perder, dizem, é um momento onde algo bom pode ocorrer. Se serve de consolo, no momento, eu adoraria estar nesse estágio. Mas ainda estou no estágio de digerir o que perdi, acreditando que foi sem merecer perder. E o objeto da minha perda não ajuda, porque age como se eu não tivesse perdido quando estou longe, mas age como tudo estando perdido, quando estou perto. A crueldade. Vai entender pra que serve a maldita crueldade.

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  2. Sabe que lendo seu comentário fiquei pensando sobre o que é perder... desde quando temos algo? A gente acredita que acumula coisas, que somos donos, ou mesmo que dividimos espaços, bens... e daí quando temos a noção que na verdade não temos nada ficamos num vazio... Será o meio que vivemos, nos fazendo acreditar na posse como forma de externar o viver? Eu sei que desapegar é muito mais difícil do que conquistar e possuir... requer um altruísmo monástico, quase... Mas eu chego lá!

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