domingo, 25 de maio de 2014

Meu pai saiu para comprar cigarros


 
Para minha mãe. No momento em que ele pôs o pé para fora, uma perna entrou janela a dentro. Olhou para mim e sorriu. Pôs o dedo em riste nos lábios e correu para o quarto. Risadas e barulhos altos eu ouvi enquanto tapava as grandes orelhas do meu coelho peludo. As pernas se foram, o riso passou e meu pai não voltou. Minha mãe deu-se por conformada, juntou as malas e fugiu com o circo. Eu e o orelhudo nos entreolhamos, obviamente perdidos. Algumas cenouras de plástico e um guarda chuva quebrado de coração nos acompanharam estrada a fora, na indecisão de tantos caminhos imaturos. Só uma certeza seguiria nossa trilha. Fumar, definitivamente, é um vício que arruina muitas vidas.
 
Marina Costa

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