quarta-feira, 4 de junho de 2014

Desce


Esperavam juntos. Ela não queria ir primeiro e ele, como bom cavalheiro, segurou a porta. Sorriu, constrangida. Fechou os olhos, ao sentir o perfume dela. Quase ao mesmo tempo apertaram o painel. Ela rumo a saída principal. Ele para a garagem no subsolo. Começaram a descida. O silêncio sufocava a medida que se aproximavam do chão. 15º andar, ela suspirou forte. Passando pelo 12º, sentiu aquele olhar de canto de olho. 11º e ambos em sincronia cruzaram os braços. No 8º o elevador parou. Se entreolharam no momento em que a porta ficou por eternos segundos aberta. Ninguém, felizmente, atrapalhou. No 6º ele coçou a cabeça. No 4º ela ajeitou a bolsa. Ao chegar no 3º ele abriu, pensou e ao mesmo tempo fechou a boca, intimidado. Ela, frustrada de expectativa, abaixou a cabeça. 2º, 1º e era o fim infértil de mais um dia. Ao ouvir o sinal do térreo ele, num gesto rápido e nervoso, segurou sua mão. Ela inundada de dúvidas, esperou a porta abrir olhando em frente. Ele, em súplica muda, apertou seus dedos. E a última coisa que pude ver, do lado de fora no saguão foi um sorriso tímido mas doce iluminando o rosto dela quando deixou-se ficar e a porta do elevador finalmente se fechou para a crônica.
 
Marina Costa

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