quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fado


Sento em frente à luz de velas disposta a me fazer calar, proibindo mesmo que meu pensar em ti recaia outro momento. Do meu despertar até o instante de cerrar os olhos na madrugada alta, sua imagem fixa em minha memória me sorri mas a ausência do seu abraço me leva à nostalgia intrusa do que quase não vivi. Decido assim esquecer o momento em que a boa sorte me guiou em pensamento até a luz dos olhos teus... Apagar em um soprar a lembrança do céu de estrelas que noites atrás cobriu nosso silêncio. Permito que se vá a imagem do sol nascente que tendo se erguido imponente minguou frente à tua claridade maior. Prometo então a qualquer ser de minha devoção abandonar a sensação ainda viva de sentir o calor das suas mãos calmas a segurar o tremor das minhas. E decidida, pouco aliviada ainda que vazia, fecho os olhos fingindo dormir tentando impedir que tornem a cair as mesmas lágrimas resolutas. É então que, no sonho, tu vens. Sorrindo, claro como o dia, abre para mim a janela de uma conhecida vista e repete aos meus sentidos como é bom mais uma noite estar comigo. Esmorecem, outra vez, minhas tolas intenções. Se ergo castelos de pó, no mais bonito deles, tu vive comigo. De todos os sonhos sonhados, esse é o mais ansiado abrigo.
 
Marina Costa

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