segunda-feira, 24 de novembro de 2014

De sempre ir indo

 
 
Eu queria sempre um consolo e essas coisas tendem a sumir com o tempo. Parece que quanto mais idade, mais experiência de mundo, menos você precisa de colo, de ombro, de palavras de incentivo. Quanto mais desbravador a gente se mostra menos importante fazemos parecer as decepções. Todo mundo olha com tanta certeza da recuperação certa que ninguém procura mais estender a mão. Consolar alguém assim, tão a frente, tão independente, seria uma confissão de que afinal não há muita esperança de que tudo possa ir sempre bem. Os fortes sobrevivem, a custa de falsos suportes para se manterem de pé. E na fragilidade da vida ninguém quer acreditar. Não fomos ensinados a tal, afinal.
Há que um dia haver colos por telefone, como daqueles números de prevenção ao suicídio que os candidatos a suicidas podem ligar. Anonimato claro, de quem fala e de quem ouve para que a vida continue sem perturbar a ilusão de força que os grandes exercem sobre os pequenos.
 
Marina Costa

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