segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Do bem (ou mal) de ser dona do próprio nariz

 
 
- Não precisa não menino, deixa que eu carrego sozinha!
- Gente, mas nem venha me buscar não, descubro onde é, chego já!
- Já fiz, dei meu jeito, mas agradeço assim mesmo, viu?
- Homem, dê isso aqui, eu conserto para você!
- Eu? Não sei não, amanhã já devo estar em outro lugar, nem precisa preocupar que sei andar sozinha tem tempo...
- Ah, sim, mas resolvi ontem mesmo, estava lá, meio que a toa, daí eu fui e fiz!


***
- Menina, mas tem alguma coisa que eu posso fazer por você? Nunca vi independência tamanha, será que eu tenho utilidade? Ele pergunta, meio que em tom de brincadeira...

***
Daí ela pára e pensa... toma um puxão de orelha da delicadeza feminina e olhando aquele rosto sincero e iluminado começa a sentir o comichão do desejo de parar de andar sempre em frente e se deter, ainda que por pouco tempo...
- Pode sim! - diz sorrindo - Senta aqui do meu lado e me ajuda a contar estrelas... Não consigo fazer isso só, não!
 
Marina Costa

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