domingo, 25 de janeiro de 2015

Limiar

 
Joga a moeda para cima rezando para que perca. É tão mais simples deixar tudo para trás... Olhando com esperança o brilho do metal no ar, ora com fervor para que o destino mande a ordem de andar. Nômade de si mesma, aceitará resignada uma nova estrada e quando perguntarem porque se foi, porque desistiu, poderá relegar ao desconhecido o peso de sua decisão. Lavar as mãos e enterrar na sombra do passado todo o presente que não se acha em condição de receber.
 
Caiu a moeda, o barulho desperta os devaneios. Quica na calçada e rola bamboleando, lenta e indecisa, como quem a jogou. Inesperadamente, uma pedra no caminho a faz saltar e o bueiro a acolhe, indiferente e escuro. Decepção. Volta aos ombros o peso da escolha da própria vida. Fica a lição da moeda: não há ir ou ficar. O caminho será sempre um salto no abismo. Duas coisas apenas permitem um pulo sem dor: abrir as asas e cair de pé.
 
Marina Costa

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