quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Por um desses acasos

 
Passam meses para um ano ir e nos encontrar ali, na soleira da porta, com olhos vazios e mãos abanando, pedintes de sentimento e entendimento da vida. Horas que escorrem e levam, diluídos, desejos insatisfeitos, ideias abandonadas, sorrisos contidos e abraços escusos. A bolsa cheia de frustrações, abandonadas nas covas da memória. É tempo de novos planos, novos projetos de ser humano, novas promessas de insípida melhoria. Mais amor, menos guerra, talvez ler poesia. Se não houvesse sonhos na passagem de outro ano não haveria porquê passar. Levantamos e entramos, fechamos a porta do passado e respiramos fundo para um novo mas já conhecido futuro. Haverão, sabemos bem, planos não realizados. Abandono e apego. Egoísmo acomodado. Mas há que se ter esperança de que tudo mude no virar do calendário. Do contrário, poderíamos simplesmente ficar a ver a areia cair. Seria então melhor saber que o tempo nos soterra sem olhar.
 
Marina Costa

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