domingo, 20 de setembro de 2015

Âmago

 
Sentada no banco branco ela abraçava os joelhos, perdida em um canto de sua alma tão difuso que nem mesmo Renoir poderia alcançar. Quando uma lágrima saudosa caiu dos olhos dela começou a soprar uma brisa mansa mas carregada de uma tristeza tal que minutos depois transformou-se em uma inquieta ventania. O vento parecia querer destruir o mundo tal era sua fúria e força. e mesmo não havendo nuvens no céu e o sol estalando de tão dourado, folhas, saias, cabelos eram jogados para cima como o brinquedo de um garoto emburrado. Apenas ela imóvel, parecia serena. Quilômetros dali, um homem tão impassível quanto as eras sentiu-se subitamente abalado pelo ar que de repente mudou. Estacou e por um segundo infinito fixou o olhar em uma árvore de onde parecia vir o eco de um sorriso perdido. Sem motivo aparente, ele desatou a chorar.

Marina Costa

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