domingo, 25 de outubro de 2015

Dianóia

 
Apertou a mão dela com força e firmeza. Em retribuição, sentiu seus ossos estalarem. Ela não era uma dessas muitas que andam por aí, a entortar pescoços despertando apenas sensações físicas. Assim como ele, tinha fogo nos olhos. Respeitava seus colegas, do mesmo sexo biológico, pois acreditava que por serem machos era inerente a força em si. Mas quanto a elas, admirava as belas feições, os pares de pernas, bocas sedutoras e não passava disso. Não acreditava que rostinhos bonitos pudessem ter fibra. Até aquele dia. Seus olhos de carvão, sua mão de ferro, sua fala firme, sua eloquência cadenciada,  inebriavam tanto ou mais que seus cílios longos ou sua forma de ampulheta. Dessa vez, foi ele quem perdeu o rebolado. Emudeceu, estupefato. Gaguejou, tropeçou, deixou fugir o argumento e quase caiu. Ela, sorrindo triunfante, saiu da reunião tranquila. Mais uma vez deixou no chinelo marmanjos barbados. Sem precisar de ferramentas outras que o próprio raciocínio.
 
Marina Costa


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para contato, nosso email é vidanacronica@gmail.com