terça-feira, 20 de outubro de 2015

Mulheres Vestidas


          Em 1953, Marilyn Monroe, símbolo maior do sex appeal ocidental até mesmo nos dias atuais, estampou a capa da primeira Playboy a ser lançada. Em 2015, Cory Jones, editor da mesma revista, solta ao mundo a seguinte frase: “Meu lado 12 anos está muito desapontado”. Isso se deve ao fato de que a Playboy (norte-americana) não irá mais reproduzir, de agora em diante, fotos de mulheres nuas. Com a pornografia barata proporcionada pela era digital, os editores entenderam que as mulheres de papel perderam seu “sentido”. E assim, a revista encerra seu principal motivo de ter sido criada. Em pleno século XXI, esse é o posicionamento de uma empresa frente ao mercado. O que orientou a ação da Playboy não foi a questão da objetificação do corpo feminino, como bem revela a frase de Cory (e há que se duvidar quanto a idade que ele afirma desapontada). A decisão da Playboy de deixar órfãs suas coelhinhas curvilineamente perfeitas trata pura e friamente da questão do lucro. Peladas impressas não estão dando dinheiro. Ponto. Não que as questões feministas* não tenham peso. Ao longo de todos esses anos de publicação, muitas (e muitos, sim homem também pode e deve ser feminista) foram contra, a favor, indiferentes. Mas o que pesa, como bem previsto por Marx, é o capital. Assim, há que se pensar se essa vitória (ou derrota) pode ir para a conta do movimento feminista. Desde que o mundo é mundo, ou de quando os homens tem 12 anos, se pretende a nudez feminina. Mas, aos trancos e barrancos, começa a se olhar para além do rebolado, da comissão de frente, do torneado das pernas.
         
          Ficarão com o orgulho ferido, as futuras musas que nunca serão capa da Playboy? Marilyn, se estivesse viva, reprovaria o ato? É fato que a vaidade feminina se ressente desse corte de orçamento. Por outro lado, vejam só, uma colunista falará “entusiasticamente” sobre sexo em uma coluna na reformulada revista. De certa forma, é a troca da bunda pelo cérebro. De certa forma, parece haver um fiozinho de esperança de que os homens cada vez mais apreciem também as mulheres vestidas. Mesmo se for por culpa da crise. Sempre haverá males que vem parabéns.
 
Marina Costa
 

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