domingo, 15 de novembro de 2015

Mil fins



Pela terra seca, mil litros de sangue já verteram antes do hoje. Das rosas que nascem, lágrimas saudosas verterão mil mais. O amanhã trará outras lamúrias, e assim o jardim encharcado novamente florescerá, de gentes, de futuros e de sonhos. Mas cada um destes de novo morrerá como ninguém, pois o fechar dos olhos, o apodrecer da carne revela o nada do qual somos feitos. No infinito, que nunca saberemos se está mesmo lá, ecoará o choro do ego morto. Alcançando as estrelas para além da luz, tal sinfonia de lamento em mil anos vezes mil outros silenciará, no frio do cosmos. E é este o caixão eterno de nossa efêmera vida. Sinta agora na boca o gosto da fantasia humana pelo tempo que ainda resta pois urge a colisão do fim. A morte é fato, o vazio é certo. E sobre ambos talvez só o amor faça algum sentido.

Marina Costa

2 comentários:

  1. Excelente lembrança do que era, é e será estar vivo, até os fins.

    ResponderExcluir
  2. Só espero que o fim seja mesmo o fim, sem mais lamentos e pensações. Abraço pra ti!

    ResponderExcluir

Para contato, nosso email é vidanacronica@gmail.com