terça-feira, 10 de novembro de 2015

Pedidos


Ambos olhavam a água cair enquanto o sol esquentava seus corpos em ebulição. Ela sentou-se de um pulo, olhou o homem ao seu lado e cansada de pensar soltou de supetão: “quero casar com você”. Ele arregalou o olhar aos céus, como se implorasse misericórdia. Sentou-se e enfrentando uma crise de tosse, ria enquanto tentava respirar. Ela sentiu-se contente como sempre, pelo estrago que acabava de causar. Na semana seguinte, enganando padre e parentes, trocaram aliança e cumplicidade debochada em uma igrejinha caindo aos pedaços numa curva empoeirada pelo tempo indiferente. De fato, há muito já estavam casados. Só queriam brincar de ser como todos para terem certeza de que eram os dois. E só.
 
Marina Costa

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