quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Quem? Eu?


Os velhos políticos pedem uma forma nova de se fazer política. Não preciso citar nomes não é mesmo caro companheiro? Com o transbordar da corrupção no cenário brasileiro, espalhando-se por escusas instâncias tais quais a lama da Samarco nos montes das Minas Gerais, a cada manchete outra há uma figurinha carimbada a pedir aos nobres colegas que mudem seu modo de governar. Acredito ser isso um sinal de entendimento: as pessoas estão menos tolas ainda que incomodamente acomodadas. Mas estão apontando, comentando, compartilhando, curtindo e deslikando. Em um dia, é o único vereador na bancada belohorizontina que vota a favor do Uber. No outro, certa comissão instalada para fiscalizar, quem diria, mineradoras. Acordamos e bate à porta novo partido levantando a surrada bandeira verde enquanto promete reunir sobre sua premissa os discentes do clube dos levianos. E assim vamos todos percebendo que a cobra começou mesmo a fumar e cabeças vendidas começam, finalmente, a rolar. Quem corta é a PF, amparada pela guilhotina do MPF, que cedo ou tarde ganhará brasão na bandeira nacional. Quem assiste, extasiado, é o povo e os adversários, ou seja todos nós. Todos mas assim, com um pouco de receio, já que nessa terra de fartura e abundância não há pé que escape de pisar em um pouco de poeira do alheio.  Portanto, caros compatriotas, o quanto antes, o melhor é se colocar do lado dos mais honestos, ou dos menos atingidos podemos dizer. Sair de fininho, deixando os declarados assoladores do povo sofrerem sozinhos a justiça que muito tardou. 500 anos depois, parece que afinal alguns coronéis começam a sentir calor na moleira advindo de furos em seus chapéus. Que o povo não se desespere,  não mais se venda, pois a revolução será sim televisionada. Agora é viral. Haja o que hajar, disparates por vir, o claustro está edificado. É aguardar o destroçar. Assimilar o espírito faceiro brasileiro e construir a partir dos destroços a dignidade que queremos, mesmo que sem saber. Tenhamos todos um feliz ano novo. E que não seja, outra vez, apenas outro.
 
Marina Costa

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