segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Quase Memória


Começo a crônica com um pedido de desculpas aos colegas autores e aos leitores contínuos desse blog. Na semana passada fiquei impossibilitada de postar*. Nada físico, problemas tecnológicos considerando que eu estava em uma cidade pequena sem muita estrutura para acesso a internet. Sim, isso acontece ainda em alguns rincões desse país.
Fato é que para além das desculpas que espero serem aceitas mas que isso não me repita, fui a um festival de cinema nacional. Dentre a pluralidade contemporânea de boas histórias e opiniões, de novidades antropológicas e diversidade social exposta na tela, um filme baseado na obra Quase Memória de Carlos Heitor Cony me chamou atenção. Tony Ramos, minha desavença pessoal por motivos de friboi, interpreta um velho que encontra a si mesmo e em uma noite se põe a relembrar o passado. Não tem aqui nenhum spoiler, pois esse é praticamente o início da obra cinematográfica, então não torçam o nariz e assim que sair no circuito assistam ao filme.
Quero registrar que o que me inebriou foram as palavras. A história, uma mistura de ficção, realidade e cacos do passado do próprio autor, mostra a trajetória de seu pai, também jornalista mas principalmente um sonhador. O trágico cômico dramático da vida é não apenas revelado através da grandeza de nossas ideias frustradas pela praticidade rotineira assim como pelas belas palavras que em sincronia vão mostrando como são frágeis nossa memória assim como é frágil cada momento que vivemos e que se esvaem tão rápido quanto o piscar. O filme me tocou por falar de um assunto que me custa tanto a entender, esse agora a virar pó. E Tony, na pele de Carlos, ganhou um pouco da minha afeição pois soube com maestria mostrar que seus dramas são também os meus, os nossos de todo dia.
 
Marina Costa
 
*Crônica originalmente publicada no blog https://vidasetechaves.wordpress.com/2016/01/31/quase-memoria/ em 31/01/2016.

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