quarta-feira, 20 de abril de 2016

As Rosas Falam

 
 
 
Há poucos dias atrás escrevi sobre como fiquei enraivecida por ter recebido uma flor no dia da mulher. Hoje me deparei com a imagem acima e entrei em conflito comigo mesma ao ser feliz. Eu sorri. E procurei esclarecer essa sensação paradoxal. Começando da conclusão, falam as rosas. Mudas a mostrar que sua delicadeza sustenta a força da esperança na verdade. Belas, pela simetria, a fortalecer nossa crença em alguma calmaria depois da tormenta. O que dita o tom é o contexto. E de onde parte tal mimo oferecido. Nesta segunda feira, 18 de abril de 2016, levantei-me pouco disposta, sentindo em mim a derrota e querendo entender, sem ser por deus ou por uma família, qual o motivo de tanta perseguição ao povo, que sempre teve, para além dele, tão pouco. O dia foi escorrendo e vi outros como eu. Outros que sempre sorriam de volta mas que neste 18 não tinham expressão para dar. Perdidos, absortos, errantes em caminhos que antes eram tão firmes pois os buracos não pareciam assim tão perto. Essa vertigem, depurando daqui e dali, conversando, abraçando, apoiando, foi virando vontade de não deixar só alguém que pode até não ser como nós, mas que está também sendo oprimido, subjugado, escarnecido. Agora, nessa quase quarta feira, eu me sinto com certeza feliz. É o meio da semana, minha labuta pensa em se encaminhar para o fim junto com o baque do primeiro soco que passou. Ando para o lado que escolhi, onde promessas vazias são trocadas pela ação de corações honestos. Em lugar de exaltar a violência, flores são entregues com oferta de abraços. A derrota irônica em lábaro estrelado abre a porta para a luta vermelha, como rosas, que impetuosa mais uma vez começa.
 
Marina Costa

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