domingo, 10 de abril de 2016

Gênio


No fundo ela acredita que há em uma de suas muitas garrafas um gênio adormecido. Encolhido nascituro, do amniótico líquido despertará. Ela, sedenta de luxúria sorve ansiosa o elixir interminável na esperança de terem satisfeitos seus desejos egoístas. E pensa sobre cada um deles, sentindo-se a cada gole mais perto de tudo o que lhe fará ser alguém. Da última gota que seca no lábio rachado surge a figura monstruosa de um ser putrefato. Com um riso diabólico, ela se prostra a seus próprios pés e louca de usura enxerga a grama verde onde deitará o amor roubado, o querer doentio e toda a ilusão sobre a qual imagina viver.
 
Marina Costa

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