terça-feira, 10 de maio de 2016

Abscesso


Olhava o céu translúcido e via na forma das nuvens o futuro que não tinha. Tal como este, era tudo distante, poroso, pronto a se desfazer perante a qualquer chuva pouca. Com olhos perdidos, garganta em nó, compreendeu que acabara sua fé na vida e que por mais que houvesse para onde olhar, perdera a vontade de ver. E assim o mundo ficou escuro, dia e noite se pareciam e os sonhos vazios não se diferenciavam do vivido. Tudo continuidade do nada. Dormir e acordar eram agora o mesmo lado da moeda.
 
Marina Costa

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