quarta-feira, 15 de junho de 2016

Finanças


- Escutou isso aqui João?
(Silêncio).
- 77 milhões. E hoje não arruma nem uma mulher para dar uma banho nele, doente e sozinho do jeito que vive...
(Desinteresse).
- Vê se pode, 77 milhões...
- Dinheiro não é de Deus não, José.
- Que que foi João?
- Dinheiro. É coisa de Satanás.
- Que coisa de Satanás o quê. O homem que é um descontrolado. Coisa de Satanás é ser pobre, ficar rico e ficar pobre de novo!
- Né coisa de Deus não. Jogo. Imagina quanto dinheiro de pão pai deixou ali... filho com fome...
- Deixa de ser besta homem. Não é cassino, nada disso não sô. Jogo é jogo horas!
- Eu ganhei muito no bicho. E agora tô aqui. E tô feliz. É de Satanás. Dinheiro de suor é que é de Deus.
- De Satanás né? Mas pega 77 milhões e leva lá pro seu pastor pra ver se ele não aceita...
- Mas aí tá abençoado. É diferente.

No banco da praça, Satanás maltrapilho pedia esmolas. Seu chapéu furado e vazio poucas vezes era notado pelos passantes que entravam na igreja. No Banco do lado, Deus contabilizava os lucros e repassava mais aos mais ricos. Enquanto os querubins, donos de pequenos botecos, tentavam equilibrar impostos e sonegação para não quebrar.
 
Marina Costa

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