quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Egos


Quando a noite chega arrombando a porta e o frio entra atrevido pela fresta, quando o céu finalmente escurece preto e a gente percebe que a luz do mundo se foi, o peito fica mais apertado, o coração mais partido e o medo de morrer estrangula cada pedaço da pele que sente. Nem a despensa cheia, nem a lembrança de todo sorriso é capaz de afastar a tristeza que se instala ao ouvir o relógio anunciando madrugada e meia. O pensar sem cessar lateja a cabeça e lágrima atrás de lágrima derrama-se a vida que padece, mas ainda não findou. É que a falta do seu eu que não está aqui com o meu me faz lembrar que o amanhã definitivo não volta. Durmo, febril e sem sonhos, ansiando pela benção de outro dia de ilusão.
 
Marina Costa

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