terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Sanga

 
 
Com muito cuidado ela ia pisando o terreno desconhecido. Passaram alguns minutos e tudo parecia igual, claro e limpo. Olhando a paisagem, acabou por esquecer-se de que nunca estivera ali, a não ser em ilusões... E seguiu andando, cada vez mais absorta na claridade do dia e na vida que emanava de cada respiro. Certo momento, o pé escorregou em um declive não previsto. O joelho bateu no chão levando por cima a outra perna e num piscar de olhos o corpo inteiro rolava ribanceira abaixo. Arrastou pelo caminho muito espinho, muito galho e muita pedra que em redemunho laceraram suas roupas, sua pele, seu pensar. Caiu no fundo da sanga, como um bicho do mato qualquer, sem saber o que a atingira e sem entender como chegara ali. Passados alguns minutos compreendera que tudo não passou de uma armadilha. Fechou os olhos para chorar, pois pensar já se mostrava tarde demais. Talvez na manhã seguinte poderia, com muito cuidado, tatear paredes em busca de uma saída.
 
Marina Costa

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